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Sei que reescrevo muita coisa do Caio Fernando mas, acreditem, não é por falta do que escrever ou por preguiça de desenvolver tópicos. Claro que tenho uma eterna paixão por ele e por toda a sua bagagem litetária já publicada, e isso confesso abertamente. O negócio é: muita coisa que tenho certa dificuldade para expressar ou trabalhar sobre, encontro em inúmeras frases de inúmeros parágrafos de inúmeros textos dele. Não, já disse, não é preguiça ou falta-de-vontade, é pura admiração. Por ver que ele parece não ter alguma dificuldade em expressar e trabalhar tudo com o que lida. Diferente de mim. Caio desperta em mim um desejo surreal de escrever, de pensar, de elaborar textos que sempre se pensaram em fazer mas nunca com tanta qualidade – exatamente o que me encanta e fascina nele. De forma alguma quero ser igual á ele. Mas, se algum dia me perguntarem, seja hoje, amanhã ou daqui á uma década, quem é que serviu de base e de inspiração pra mim, encherei meus pulmões, colocarei um sorriso completamente sincero no rosto e direi, sem pudor algum: “A única magia que existe é a nossa incompreensão.”
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O motivo primordial por eu ter resolvido voltar com o WP foi apenas um: por mais desorganizada e indiferente que eu seja, pelo menos pra escrever eu preciso de uma ordem, senão vou embaralhando as coisas e tudo sai uma merda. Então, o blogspot ficará para textos que não se dirigem á segunda pessoa, já que isso vêm me atrapalhando um pouco. E esse aqui pra bobeiras cotidianas, para interlocutores inexistentes que me dão uma certa segurança ao escrever e para desabafos em geral.
Obs.: Apesar de saber que numa escala de 1 a 10, -5 lerão este ou o outro blog, eu fico feliz em escrever pra mim mesma.
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Hoje ela tem pressa apenas pra ser feliz. Não está correndo contra o tempo e não quer que nada ao seu redor seja assim. Para ele as horas são apressadas,então a procura por cinco ou dez minutos nem que seja pra saber como ela está. Não. Ela não quer se conformar com o pouco que ele quer lhe oferecer agora. A sua pressa é boa. É pressa que espera pelo o que ainda vai acontecer. Então ela lhe pede: Não atrapalhe minha calma de viver com sentimentalismos fora de lugar. Eles apenas roubam minha esperança por segundos e fazem com que eu me sinta vazia o resto do dia.
Sabrina Davanzo
(daqui, http://inversomeu.blogspot.com/2009/07/contra-tempo.html)
Eu tava sentada lá fora, aonde eles embarcam, pensando na vida e tomando aquele Nestéa de pêssego que á tempos é um dos meus principais vícios. Cansada, claro, não fisicamente, mas cansada de ter que enfrentar mais ônibus, mais quilômetros, e cansada de ter que me sentir a cada segundo mais longe de você.
Daí um cara começou a se aproximar de mim, olhando na minha direção com um papel em mãos, bem vestido e com o aspecto daqueles vendedores da Polishop que mesmo que você não precise de alguma coisa, eles lhe fazem acreditar que você de fato precisa. Enfim, ele chegou e começou a falar que estava aproveitando que eu tava sentada lá e que ia me entregar um folheto, que não era sobre uma religião específica, citava partes da bíblia, mas totalmente dentro do contexto do assunto o qual o folheto se tratava. Tá, até aí tudo bem, tava meio de saco cheio e com mais 40 minutos livres até o ônibus chegar, e sempre é bom ter alguma coisa em mãos pra ler. Pelo o que deu pra entender, ele tinha uma diversidade de assuntos em panfletos diferentes, pegou um qualquer e me entregou.
‘Consolo aos Deprimidos’, é o nome. Por deus, não tinha algum falando sobre o maravilhoso sentimento natural que o ser humano pode produzir de alegria, felicidade, positividade e como isso pode ser bom; exercícios mentais que atraem coisas boas; como o pensamento positivo influencia nas conquistas do dia-a-dia; enfim, qualquer coisa positiva.
Que eu não tô esbajando alegria eu sei, você sabe, qualquer um que me ver na rua sabe, pela minha simples expressão facial. Agora, sentada no chão de uma rodoviária, pensando em como foram as minha férias e em como eu não queria por nada desse mundo estar indo embora, e ainda vem alguém me entregar um panfleto de consolo? Francamente.
e dar um abraço, só um abraço, daqueles bem fortes que não pedem palavras, que sozinhos já expressam a tamanha vontade que eu tenho de ter você por perto, que essa distância é o que mais me dói, que muito além de querer, eu preciso de você perto de mim, que toda a vez que eu tenho que ir parece que uma parte do meu coração tá se desfazendo, que eu já cansei de chorar – e sinto uma tremenda vergonha de sequer admitir – implorando por você, pelo seu cheiro, pelo teu cabelo-estilo-beatles o qual você vive implicando – e eu acho uma graça -, pelo teu olho, que me ganha só de me encarar por dois segundos, pela tua boca, pela tua mão, tudo, tudo, cada partezinha de você que me completa de um jeito que eu não sei explicar.
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eu juro por jesus cristinho meu rei que eu nunca mais vou voltar a morar com a minha mãe. não tenho mais paciência pra isso, nem pra ficar ouvindo tanta coisa.
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caio fernando exerce um poder de compreensão comigo de uma maneira inexplicável. fragmentos dele por aqui não serão surpresa alguma. começando por um que eu gosto a tempos.
“Te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o quê, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em tudo outra vez.”
isso descreve grande parte do que sinto e como sinto no momento. se é que eu sinto alguma coisa, realmente. me sinto amortecida por tudo o que acontece, não sei o que pensar, muito menos qual decisão tomar em relação a alguma coisa. queria que fosse tudo simples como antes, mas a vida, de simples, não tem nada, não é mesmo? eu só queria que essa dor passasse ou amenizasse ou sumisse as vezes, podendo voltar, claro, mas só sumindo vezenquando faria uma diferença que muitos ao meu redor perceberiam. meu humor virou uma lenda. sinceridade é a ultima coisa que você vai encontrar num sorriso meu, ou em qualquer momento de suposta felicidade. esperança é uma coisa que morreu faz tempo, antes mesmo de eu perceber que ainda tinha alguma. o que me resta agora? esperar. sempre esperando. sempre as horas e os dias ao meu lado. sempre essa espera incessante para me acompanhar no que é o meu último suspiro de alguma possibilidade de luz-no-fim-do-túnel. posso esperar anos sem fim, dias, meses, não sei. não sei até quando vou aguentar. não sei até que ponto vou aguentar essas ruínas quais me encontro soterrada. não sei até que ponto vou aguentar mais entulho sendo jogado em cima de mim. eu peço descanço e um fio, que seja, de esperança.
“Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.
A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão.”
a incompreensão me entende.
sempre a noite. só saem quando não há luz que os ceguem, quando não há barreiras ou limites, quando não há absolutamente nada que possa impedi-los de realmente tomar conta da nossa mente e dominar o resto de sanidade que ainda resta. esse medo parece mais do que nunca acariciar de leve a nuca, sussurando no ouvido aquilo o que até você mesmo se recusa a ouvir, acreditar e admitir. cada angustia parece se tornar mil vezes mais forte, cada insegurança parece contornar todos os lugares visiveis, inclusive até aonde a visão periférica alcança. cada incerteza aterrorizando qualquer esboço de pensamento positivo.
a noite parece que tudo fica mais claro. as fraquezas, principalmente. se bem que, nem dez amanheceres seguidos iriam conseguir amenizar os destroços que esses medos e incertezas e angustias causam.
todo o ardor que esse sofrimento causa não tem cura. nem projeto de cura. nem nada. como curar um sentimento que brota dentro de alguém, sem que ele mesmo saiba como ou porquê? não há como explicar, conscientizar, amenizar, acabar. nada.
só aprender um jeito como esquecer. e esse jeito não é encontrado, necessariamente, dentro de você ou dentro de outra pessoa. existem tantas formas de esquecer. é uma pena que a maioria seja ilegal.
Eu tô com tanta coisa na cabeça, tão irritada, e precisando falar, e não consigo escrever um texto que preste. Já comecei uns cinco, e apaguei todos.
Parece que quanto mais ‘cheia’ eu fico, menos eu consigo me esvaziar. Eu só preciso dormir uns três anos e acordar quando tudo isso tiver passado, quando tudo o que está errado se colocar no lugar certo.
Eu não aguento mais não saber o que fazer em relação a nada. Eu não aguento mais ver como única opção a fuga. Eu não aguento mais nada. Eu não consigo lidar com mais nada. E não é drama, eu juro que não é.
As coisas só deveriam ser um pouco mais fáceis. E eu não falo isso só referindo-me a mim mesma, mas sim pra todo mundo.
Cada um lida com um problema diferente numa intensidade diferente. Mas para cada um, em particular, é o pior problema do mundo. E é claro que independente do problema, a pessoa tem razão em reclamar. Porque é com aquilo o que ela tem que lidar.
E eu cansei tanto, tanto, tanto, que eu não sei sequer explicar como é o cansaço e o porquê dele.
Será que vai ser sempre difícil assim? Será que a vida inteira vai ser essa coisa? Será que isso nunca vai ter um fim?
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“Então, eu adorei o seu texto sabe.. Achei lindo mesmo, você tem um jeito único e interessante de escrever, escreve muito bem e eu já disse isso pra você inúmeras vezes. Eu também vim aqui, as 22:27 da noite, pra dizer para você que não está sozinha, que jamais estará.. E sabe por quê Anna? Porque eu estou aqui, é.. Eu mesmo, esse seu amigo burro, inseguro, perdido, bobo, chato, gordo, idiota, feio e mais um monte de coisas. Eu Anna, eu estarei aqui. As vezes eu sinto que a sua dor é minha, as vezes e a maioria das vezes eu gostaria de pegar você no colo, te moldar do jeito que eu acho que você deveria ser e fazer uma vida linda pra ti, uma vida cheia de luz, paz, Deus, amor. Anna, nós já somos muito crescidos sabe, nós tivemos que amadurecer cedo, perdemos a nossa inocência cedo, a nossa criançisse, e nos deixamos ser abraçados por todo esse “amadurecimento” que é ser adulto, nós pensamos coisas que não deveriamos pensar, e muitas vezes fazemos coisas que não deveriamos fazer. É assim, a vida não fácil pra você.. E nem pra mim. Somos os diferentes, querendo ou não, por qualquer motivo que seja, somos sim.. Os Diferentes e ponto. E é por isso que eu te amo, e é por isso que eu quero você comigo, e é por isso que o meu carinho por você é enorme, e é por isso que você é tudo isso que é pra mim, e é por isso que você brilha quando sorri.. Dentro do seu corpo, da sua alma, do seu coração, da sua cabeça.. Você tráz tudo, tudo o que já viveu, tudo o que já passou. As vezes eu fico mal, porque eu juro que eu queria te tirar disso tudo, dessa tristeza que você trás, porque essa tristeza não é sua, não é da Anna, você não é isso. A sua vida não é fácil, e poderia ser pior, e você.. Poxa, você é forte demais, sabe todos nós caimos, eu caio, você cai.. Mas sabe o que me chama antenção em você, é que sempre você levanta. Ah Anna, eu me sinto tão perdido, tão confuso, tão cansado sabe.. Eu vou jogar tudo pro alto, eu vou respirar, eu vou viver, eu vou ser eu e eu. E eu quero.. Eu quero que você seja feliz, feliz acima de tudo. Você merece, sabe.. Você merece tudo que sonha, e eu não quero Anna que você se sinta sozina, e eu não quero Anna que você fique rotiada de pessoas ruins, ruins de espiritos, ruins de carater, ruins de atitudes e corações, eu não quero isso pra você.. Eu quero que você esteja sempre com pessoas lindas, pessoas que mante paz no seu coração, que acalme ele quando você precisar, que olho nos seus olhos e diga que tudo vai passar, porque é a pura verdade, tudo vai passar Anna, e ai eu vou me lembrar de você e vou chorar igual estou chorando agora, porque eu acho que faço pouco por você, porque eu queria te ajudar mais, porque você está passando pela minha vida e eu não quero que vá embora, não quero. É tão difícil ter que ir pra mim, meu coração vai ficar por tempos aqui, e eu acho que não vou suportar a dor de perder você, de perder você sabe quem, de perder minha mãe e todos que eu amo.. Mas eu olho pra Anna e vejo que ela tá conseguindo, e vejo que ela é capaz, e vejo que ela tá superando, e vejo que ela tá vencendo.. E eu falo pra mim mesmo, eu tenho que ser forte, eu tenho que conseguir, eu não posso chorar, eu não posso chorar, não posso sofrer. Eu não sei sabe, é tão complicado pra mim tudo isso, e eu juro por Deus que as vezes só quando eu olho pra você, você me entende, e as vezes quando você olha pra mim, eu te entendo. Cara, eu tô chorando loucamente aqui, não consigo parar de chorar e eu só quero dizer Anna que eu te amo demais, e que você é linda por dentro e por fora e que você vai brilhar e que você vai ser feliz, e que você vai ter tudo, tudo de bom, e que você vai ser abençoada, por mim e por Deus. Jamais se esqueça, Deus nos dá aquilo que aguentamos, então se estamos passando por isso é que aguentamos passar por isso, porque jamais ele vai deixar agente cair e se perder, jamais ele vai nos abandonar. Eu te amo, e é só isso.”
Essas foram as coisas mais bonitas que alguém já disse, em minha decrição. Eu também te amo, S., e você já tá me fazendo falta.
xx
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acho que nunca fiz tantas coisas num intervalo de tempo tão curto. mal acordei (se é que meia hora de sono numa noite é considerado um dormir) e já fui correndo pro colégio fazer duas provas. saí de lá umas oito e pouco, fui na rodoviária, fui ver o negócio do meu computador, fui no carrefour (único departamento do shopping aberto, e eu precisava comprar coisas pra viagens e lembrar de como é que se come), passei no banco, vi roupas, sapatos, óculos, e todas as demais lojas que tinham algum tipo de slogan dizendo ‘promoção’ na vitrine (é mais forte do que eu, acredite), passei na subway, voltei pro colégio pra entregar um treco lá pra andressa, e voltei pra casa. cheguei aqui onze horas. juro que me sinto preplexa com a descoberta da minha capacidade de fazer tudo-o-que-se-tem-pra-fazer das oito às onze.
e agora, chamar um taxi e ir praquela rodoviária nojenta esperar o ônibus por uma meia hora e passar quinze horas dentro de um convencional. haja rivotril.
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depois de sair daquele sebo de livros, lembrei que a ultima vez que eu estive lá foi com ele. e depois aconteceu aquela discussão, briga, não sei nem nomear. e desde então, nunca mais nos falamos. eu só lembro que corria, corria e corria. desesperadamente, sem fôlego. havia até esquecido como é que se respirava. o que mais há pra se fazer a não ser correr tentando se esconder de um atormento? tentar fugir não é o melhor a se fazer, porque não resolve nada. mas não deixa de ser uma opção. corri até achar um beco escuro e molhado, graças a chuva.
o cigarro tinha acabado, justo na hora que eu mais precisava de alguma coisa a que segurar. quando voltei a respirar e me dei conta que ainda estava viva – infelizmente – e comecei a chorar. um choro silencioso, daquelas lágrimas que caem sem se quer nos deixar ciente que estão caindo. um choro gritando por uma sensação ainda desconhecida, que vai além da calma e do conforto, que vai além da maior paz de espírito já vista. uma sensação de que nada nunca aconteceu, de ter esquecido de tudo o que já foi vivenciado, visto, lembrado, ouvido, tudo. zerar, recomeçar. mas, como, quando tudo já foi falado e vivido? como sair da própria vida? como recomeçar? por deus, como? até mesmo um suicídio não resolveria, eu estaria presa a minha alma pra toda a eternidade. não sabia nem mais o que pensar.
a chuva engrossando cada vez mais. e meu desespero aumentando. parecia que o céu estava chorando comigo, entendendo a minha dor. eu queria gritar, mas não tinha forças. encostei minhas costas no muro, e fui deslizando pra baixo, até sentar. toda molhada, roupas encharcadas, meus olhos viam só o embassado que a noite estava proporcionando.
a única solução que passou pela minha cabeça foi ele. mas como? se a maior parte do meu desatino estava relacionado a ele mesmo? não tinha nem cabimento chegar lá naquele estado. se bem que sua casa estava a uns quinze quarteirões. deus, o quanto eu corri? eu sempre reclamava da distância, sempre irritada que tinha que passar trinta minutos dentro de um trem de metrô para vê-lo. e só fui me dar conta agora que, sem pensar, corri na direção da sua casa. eu, sempre dependente; você, sempre me julgando pela necessidade física e psicológia que sempre tive de você.
eu nunca soube o que fazer, mas nunca tinha chegado a esse ponto de angústia. comecei a procurar nos bolsos da calça pra ver se achava alguma coisa. nos bolsos da frente, um extrato esquecido e um prendedor de cabelo. no bolso esquerdo trazeiro, uma nota de cinco reais, encharcada. pensei se valia a pena procurar algum lugar pra comprar cigarros, já que eu estava quase tendo um ataque de pânico por não ter nada o que segurar. escurecia ainda mais, a rua um tanto deserta. com algum esforço e com a ajuda da precisão, consegui levantar. as lágrimas cessaram, finalmente, mas a fraqueza tomava conta de mim. o vento frio parecia entrar em mim, mas eu não desisti para sentar denovo e continuar lá porque avistava uma luz, provavelmente um buteco qualquer. atravessei a rua e andei dois quarteirões. uns cinco homens que estavam bebendo e jogando cartas me olharam como se dissessem “quem diabos é essa pessoa e o que diabos ela faz nesse estado aqui?”, mas eu me recusei a prestar atenção.
quando saí de lá, parecia estar mais escuro ainda, quase que no ápice da noite. que horas eram? não tinha idéia. tinha perdido a noção de tempo, de espaço e de lugar. dei um trago, e não sei se soltei a fumaça ou um suspiro. pensava se ia vê-lo, se não ia. se valeria a pena ou não, se ele estaria acompanhado…
comecei a andar sem pensar, olhando as luzes, o sereno que insistia em cair, parecendo querer dizer que estava me acompanhando. os carros passavam rápido, a velocidade do som propagava algumas músicas, algumas pessoas passavam andando quase-que-correndo, algumas com guarda-chuvas, outras sem. alguém conversava no celular, outros esperavam nos pontos de ônibus. tudo típico de uma cidade grande, abandonada por deus, aonde ninguém se importa com ninguém, a não ser você por si mesmo.
quando vi, estava naquela pracinha de bancos azuis, aonde nós passamos tantas tardes lendo livros, conversando e apreciando a vida. o que queria dizer que eu estava perto de sua casa. uns cinco quarteirões. você me conheceu quase que completamente, então sabe que sou impulsiva e ás vezes faço coisas que nem eu sei o porquê. se espantaria se chegasse encharcada em sua casa, numa quinta-feira de feriado, ás seilá quantas da noite? sentei no terceiro banco azul, o perto da árvore mais alta, aonde um dia escrevemos as nossas iniciais lá. será que continuavam ali, depois de tanto tempo? procurei com os olhos, e quando achei, passei os dedos para memorizar aquilo.
quando estava mais calma e um pouco mais seca, resolvi levantar e ir até você. não importava a sua reação, já que eu nem tinha parado pra pensar nisso. só tive o impulso de ir. não importava se você ia me chingar ou não, se ia me chamar pra entrar e me dar uma toalha pra eu me secar. não importava nada, só precisava te ver. e, naquele momento, você era a única coisa que eu precisava ter em mãos.
sabia que se parasse pra pensar se tocaria a campainha ou não, quando estava na frente de sua porta, acabaria desistindo, então a toquei logo. nesse exato momento meu coração disparou completamente, de um jeito que havia tempos que não sentia. uma adrenalina, não sei, não conseguia descrever.
eis você, cabelo bagunçado, de boxer e chinelo de dedo. exatamente como me acordava todos os dias para me fazer levantar e tomar o café que você sempre preparava pra mim. sua feição que mudou. o jeito como você me olhou foi completamente diferente do jeito que você olhava pra mim quando eu insistia pra ficar mais meia hora deitada, e falava que não precisava comer. eu não tive outro impulso a não ser desmoronar. mais uma vez, na sua frente. dessa vez com a ajuda do chuvisco. eu não sabia se você ia falar pra eu ir embora, se ia pedir pra eu entrar, se ia fechar a porta na minha cara, não sabia de nada. não sabia o que esperar. e sua reação foi completamente diferente de tudo o que eu cogitava. quando eu senti o seu abraço me envolvendo e me puxando pra dentro, comecei a desabar mais ainda. só de ver que você não tinha mudado. só de ver que eu ainda podia contar com você, apesar de tudo. eu pensei que o máximo que você podia fazer era me entregar uma toalha, mas não. você voltou com aquele meu-seu pijama, aquela sua camiseta branca que eu tanto gostava de dormir, e com aquela minha calcinha de algodão que eu nem lembrava mais que existia, e que me sentia tão a vontade com ela. sinceramente, não lembrava de tanta coisa que gostava. esqueci de tudo desde aquele episódio que nunca tirei da cabeça.
tomei um banho quente, e quando sai, um pouco envergonhada, você havia pedido um yakissoba e um suco pra mim, já que não havia coisa que eu mais gostasse de comer do que isso. não sabia nem o que dizer, nem o que fazer, nem como olhar pra você, já que não tinha falado uma palavra desde quando cheguei.
e você falou por mim, – você tá bem? come isso, parece que você não come a dias. e eu não consegui fazer nada a nao ser sentar lá e começar a comer. quando estava na metade, e você ainda me olhando como se esperasse eu dizer o porque daquilo tudo. e como sempre quando eu não sabia o que fazer, eu ri involuntariamente.
- por que que quando você aparece fica tudo bem? -, finalmente consegui sussurrar.
- porque eu vou te salvar sempre -, e me deu um beijo na testa.
- tá tudo bem?
- agora sim.
e eu sabia que tava. eu sentia que tava. depois de ser levada ao seu quarto e sentir seu corpo transmitindo calor para o meu e fazendo o meu medo desaparecer, tudo ficou mais sintetizado, tudo mais concreto. tudo mais claro, mais limpo. tudo como devia estar. só de sentir sua boca passando pela minha orelha e sussurrando que ainda me amava, e estava esperando o dia que eu ia bater à sua porta, eu senti a paz de espírito que eu precisava. tudo o que eu precisava – e preciso, aliás – é ficar perto de você e te sentir perto de mim.
Filed under: desatino
não é uma dor. uma dor você faz passar com um doril, uma neosaldina, ou até com algumas horas de sono. uma dor física é bem mais fácil, e eu até preferiria. porque essa dor estrutural que eu sinto, esse abalo mental e psicológico é demais. mais do que eu posso aguentar. mais do que qualquer um pode aguentar. não é cansaço, nem saco cheio, nem nada. a vontade é sair, sumir, sem deixar rastro algum. nem uma carta, nem um lenço, nem uma peça de roupa suja. é desaparecer completamente, ir pra um lugar desconhecido aonde eu conheça ninguém. as vezes eu queria levar uma vida fútil, pra não ter que enfrentar nada de frente, pra não ter que lidar com nada que seja sério, aonde minha maior preocupação seria: que sapato eu coloco com esse vestido, o azul ou o preto? não consigo, é maior e mais forte do que eu. eu não consigo nem transcrever isso no papel, deus. ânimo está com um saldo pra lá de negativo na minha vida. auto-estima então, nem se fala. cansei de me cansar e de ficar sem saber o que fazer. cansei de me ver sempre na mesma situação e desnorteada completamente. alguém me dê a luz que for, por favor. ou só um bom ouvido.
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e vamos com a coragem e com a força de vontade ficar quinze horas dentro de um ônibus (convencional, pelo o que tudo indica) para ver mamãe em são paulo
eu preciso começar a comer direito, tô quase desmaiando. essa vida de morar sozinha não é uma das melhores coisas. não tem limite pra nada. mas enfim.
Filed under: paranóia
eu preciso ver um médico urgente. um psiquiatra. Sylvia Plath disse que hoje em dia, um psiquiatra é Deus, porém custa dinheiro. mas de qualquer jeito, eu preciso conversar com Deus um pouco. ver se tudo isso é coisa da minha cabeça, se eu tô ficando louca ou o que for. eu só sei que eu não aguento mais esse desespero calado que me atormenta e mora em mim, que me tira o sono e a fome, que me deixa com um medo que eu não consigo explicar, quem vem com calafrios e tudo. eu só queria realmente saber o que se passa na minha cabeça, ou se a vida é uma paranóia assim mesmo.


