Filed under: desatino
caio fernando exerce um poder de compreensão comigo de uma maneira inexplicável. fragmentos dele por aqui não serão surpresa alguma. começando por um que eu gosto a tempos.
“Te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o quê, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em tudo outra vez.”
isso descreve grande parte do que sinto e como sinto no momento. se é que eu sinto alguma coisa, realmente. me sinto amortecida por tudo o que acontece, não sei o que pensar, muito menos qual decisão tomar em relação a alguma coisa. queria que fosse tudo simples como antes, mas a vida, de simples, não tem nada, não é mesmo? eu só queria que essa dor passasse ou amenizasse ou sumisse as vezes, podendo voltar, claro, mas só sumindo vezenquando faria uma diferença que muitos ao meu redor perceberiam. meu humor virou uma lenda. sinceridade é a ultima coisa que você vai encontrar num sorriso meu, ou em qualquer momento de suposta felicidade. esperança é uma coisa que morreu faz tempo, antes mesmo de eu perceber que ainda tinha alguma. o que me resta agora? esperar. sempre esperando. sempre as horas e os dias ao meu lado. sempre essa espera incessante para me acompanhar no que é o meu último suspiro de alguma possibilidade de luz-no-fim-do-túnel. posso esperar anos sem fim, dias, meses, não sei. não sei até quando vou aguentar. não sei até que ponto vou aguentar essas ruínas quais me encontro soterrada. não sei até que ponto vou aguentar mais entulho sendo jogado em cima de mim. eu peço descanço e um fio, que seja, de esperança.
“Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.
A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão.”
a incompreensão me entende.
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