introspecção


Justificativa
12.12.09, 4:59 AM
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Sei que reescrevo muita coisa do Caio Fernando mas, acreditem, não é por falta do que escrever ou por preguiça de desenvolver tópicos. Claro que tenho uma eterna paixão por ele e por toda a sua bagagem litetária já publicada, e isso confesso abertamente. O negócio é: muita coisa que tenho certa dificuldade para expressar ou trabalhar sobre, encontro em inúmeras frases de inúmeros parágrafos de inúmeros textos dele. Não, já disse, não é preguiça ou falta-de-vontade, é pura admiração. Por ver que ele parece não ter alguma dificuldade em expressar e trabalhar tudo com o que lida. Diferente de mim. Caio desperta em mim um desejo surreal de escrever, de pensar, de elaborar textos que sempre se pensaram em fazer mas nunca com tanta qualidade – exatamente o que me encanta e fascina nele. De forma alguma quero ser igual á ele. Mas, se algum dia me perguntarem, seja hoje, amanhã ou daqui á uma década, quem é que serviu de base e de inspiração pra mim, encherei meus pulmões, colocarei um sorriso completamente sincero no rosto e direi, sem pudor algum: “A única magia que existe é a nossa incompreensão.”



and here we go again
12.12.09, 4:46 AM
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O motivo primordial por eu ter resolvido voltar com o WP foi apenas um: por mais desorganizada e indiferente que eu seja, pelo menos pra escrever eu preciso de uma ordem, senão vou embaralhando as coisas e tudo sai uma merda. Então, o blogspot ficará para textos que não se dirigem á segunda pessoa, já que isso vêm me atrapalhando um pouco. E esse aqui pra bobeiras cotidianas, para interlocutores inexistentes que me dão uma certa segurança ao escrever e para desabafos em geral.

Obs.: Apesar de saber que numa escala de 1 a 10, -5 lerão este ou o outro blog, eu fico feliz em escrever pra mim mesma.



e o relógio continua
12.12.09, 8:06 PM
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Hoje ela tem pressa apenas pra ser feliz. Não está correndo contra o tempo e não quer que nada ao seu redor seja assim. Para ele as horas são apressadas,então a procura por cinco ou dez minutos nem que seja pra saber como ela está. Não. Ela não quer se conformar com o pouco que ele quer lhe oferecer agora. A sua pressa é boa. É pressa que espera pelo o que ainda vai acontecer. Então ela lhe pede: Não atrapalhe minha calma de viver com sentimentalismos fora de lugar. Eles apenas roubam minha esperança por segundos e fazem com que eu me sinta vazia o resto do dia.

Sabrina Davanzo

(daqui, http://inversomeu.blogspot.com/2009/07/contra-tempo.html)



terapia rodoviária
12.12.09, 1:08 AM
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Eu tava sentada lá fora, aonde eles embarcam, pensando na vida e tomando aquele Nestéa de pêssego que á tempos é um dos meus principais vícios. Cansada, claro, não fisicamente, mas cansada de ter que enfrentar mais ônibus, mais quilômetros, e cansada de ter que me sentir a cada segundo mais longe de você.
Daí um cara começou a se aproximar de mim, olhando na minha direção com um papel em mãos, bem vestido e com o aspecto daqueles vendedores da Polishop que mesmo que você não precise de alguma coisa, eles lhe fazem acreditar que você de fato precisa. Enfim, ele chegou e começou a falar que estava aproveitando que eu tava sentada lá e que ia me entregar um folheto, que não era sobre uma religião específica, citava partes da bíblia, mas totalmente dentro do contexto do assunto o qual o folheto se tratava. Tá, até aí tudo bem, tava meio de saco cheio e com mais 40 minutos livres até o ônibus chegar, e sempre é bom ter alguma coisa em mãos pra ler. Pelo o que deu pra entender, ele tinha uma diversidade de assuntos em panfletos diferentes, pegou um qualquer e me entregou.
‘Consolo aos Deprimidos’, é o nome. Por deus, não tinha algum falando sobre o maravilhoso sentimento natural que o ser humano pode produzir de alegria, felicidade, positividade e como isso pode ser bom; exercícios mentais que atraem coisas boas; como o pensamento positivo influencia nas conquistas do dia-a-dia; enfim, qualquer coisa positiva.
Que eu não tô esbajando alegria eu sei, você sabe, qualquer um que me ver na rua sabe, pela minha simples expressão facial. Agora, sentada no chão de uma rodoviária, pensando em como foram as minha férias e em como eu não queria por nada desse mundo estar indo embora, e ainda vem alguém me entregar um panfleto de consolo? Francamente.



nada mais
12.12.09, 12:31 PM
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e dar um abraço, só um abraço, daqueles bem fortes que não pedem palavras, que sozinhos já expressam a tamanha vontade que eu tenho de ter você por perto, que essa distância é o que mais me dói, que muito além de querer, eu preciso de você perto de mim, que toda a vez que eu tenho que ir parece que uma parte do meu coração tá se desfazendo, que eu já cansei de chorar – e sinto uma tremenda vergonha de sequer admitir – implorando por você, pelo seu cheiro, pelo teu cabelo-estilo-beatles o qual você vive implicando – e eu acho uma graça -, pelo teu olho, que me ganha só de me encarar por dois segundos, pela tua boca, pela tua mão, tudo, tudo, cada partezinha de você que me completa de um jeito que eu não sei explicar.



promessa
12.12.09, 2:24 PM
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eu juro por jesus cristinho meu rei que eu nunca mais vou voltar a morar com a minha mãe. não tenho mais paciência pra isso, nem pra ficar ouvindo tanta coisa.



que me faça acreditar em tudo denovo
12.12.09, 4:28 AM
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caio fernando exerce um poder de compreensão comigo de uma maneira inexplicável. fragmentos dele por aqui não serão surpresa alguma. começando por um que eu gosto a tempos.

“Te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o quê, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em tudo outra vez.”

isso descreve grande parte do que sinto e como sinto no momento. se é que eu sinto alguma coisa, realmente. me sinto amortecida por tudo o que acontece, não sei o que pensar, muito menos qual decisão tomar em relação a alguma coisa. queria que fosse tudo simples como antes, mas a vida, de simples, não tem nada, não é mesmo? eu só queria que essa dor passasse ou amenizasse ou sumisse as vezes, podendo voltar, claro, mas só sumindo vezenquando  faria uma diferença que muitos ao meu redor perceberiam.  meu humor virou uma lenda. sinceridade é a ultima coisa que você vai encontrar num sorriso meu, ou em qualquer momento de suposta felicidade. esperança é uma coisa que morreu faz tempo, antes mesmo de eu perceber que ainda tinha alguma. o que me resta agora? esperar. sempre esperando. sempre as horas e os dias ao meu lado. sempre essa espera incessante para me acompanhar no que é o meu último suspiro de alguma possibilidade de luz-no-fim-do-túnel. posso esperar anos sem fim, dias, meses, não sei. não sei até quando vou aguentar. não sei até que ponto vou aguentar essas ruínas quais me encontro soterrada. não sei até que ponto vou aguentar mais entulho sendo jogado em cima de mim. eu peço descanço e um fio, que seja, de esperança.

“Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.
A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão.”

a incompreensão me entende.